Uma espécie de penumbra permeava a energia daquelas noites;
depois de uma tragédia, as almas humanas, coletivas, se recolhiam em medo,
receio e reflexões profundas. Lá fora, portanto, o terreno não se mostrava
firme para aventuras, o salão somente ofereceria a possibilidade de lama e
frio, ao invés de suor e calor, aos corpos sedentos por uma noite de simples
danças. Continuar em casa, assim a configuração da noite ordenava – a cerveja
gelada, herdada no decorrer do desastre, dava o tom por onde
a riqueza da multiplicidade da vida viva se desvelaria. (e que, com certeza, se
desvela nos momentos de superação e reconstrução da tragédia, apesar da dor e
do inconformismo com o destino)Como sempre tendemos a criar aforismos para
falar sobre o vivido, talvez pudéssemos dizer que, depois de se desistir de
qualquer que seja o canal da vida – amor, amizade, profissão, sexo ou paixão -,
xingando-o e maltratando-o, esse mesmo canal se volta com tamanha volúpia para,
tão-somente, nos calar!... e esse processo se repete, incessantemente, como a
história... Nessa noite, simples acontecimentos, novos, simples e descontraídos
(como descrevê-los? Ah, o vivido...) tornaram a calar um sórdido, inocente e
incoerente ser vivente – incrédulo, temporariamente, na magia da vida... A
simplicidade de uma cerveja, a sinceridade de uma amizade, a fascinação da aura
de um lugar, a conectividade social descoberta no emaranhado das novas
tecnologias e a receptividade de distantes mas interessantes pessoas, deram o
tom mágico para a configuração única de uma noite de desvelações a favor de uma
viva viva... Ah, cala-te homem que maltrata alguns dos canais da vida! Ela se
refaz e se mostra em sua plenitude, quando menos se espera. Pessoas, abertas e
sensíveis, surgem – apesar de parecerem sumir – quando menos se espera e se
desconfia... Não importa o canal, a vida ainda é viva!
Editorial
"Ufa!!! Até que enfim eu estou livre prá me dedicar a essa dependência que a cada dia confesso estar mais viciado: escrever. RUMO AO ORGASMO EXISTÊNCIAL!!! Escrever é muito bom, e antes de começar é gostoso dar uma olhada em uns textos, inspirar-se, depois colocar umas músicas também inspiradoras prá tocar (ultimamente recomendo Radiohead) e deixar rolar a imaginação." [trecho de Preso em si mesmo, 25/07/2000]
* todos os textos são de autoria de Flávio Henrique Ghilardi.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe tuas impressões: