Editorial

"Ufa!!! Até que enfim eu estou livre prá me dedicar a essa dependência que a cada dia confesso estar mais viciado: escrever. RUMO AO ORGASMO EXISTÊNCIAL!!! Escrever é muito bom, e antes de começar é gostoso dar uma olhada em uns textos, inspirar-se, depois colocar umas músicas também inspiradoras prá tocar (ultimamente recomendo Radiohead) e deixar rolar a imaginação." [trecho de Preso em si mesmo, 25/07/2000]

* todos os textos são de autoria de Flávio Henrique Ghilardi.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Lembranças de uma noite de penumbras e vislumbres inesperados [09/04/2000]

Uma espécie de penumbra permeava a energia daquelas noites; depois de uma tragédia, as almas humanas, coletivas, se recolhiam em medo, receio e reflexões profundas. Lá fora, portanto, o terreno não se mostrava firme para aventuras, o salão somente ofereceria a possibilidade de lama e frio, ao invés de suor e calor, aos corpos sedentos por uma noite de simples danças. Continuar em casa, assim a configuração da noite ordenava – a cerveja gelada,  herdada  no decorrer do desastre, dava o tom por onde a riqueza da multiplicidade da vida viva se desvelaria. (e que, com certeza, se desvela nos momentos de superação e reconstrução da tragédia, apesar da dor e do inconformismo com o destino)Como sempre tendemos a criar aforismos para falar sobre o vivido, talvez pudéssemos dizer que, depois de se desistir de qualquer que seja o canal da vida – amor, amizade, profissão, sexo ou paixão -, xingando-o e maltratando-o, esse mesmo canal se volta com tamanha volúpia para, tão-somente, nos calar!... e esse processo se repete, incessantemente, como a história... Nessa noite, simples acontecimentos, novos, simples e descontraídos (como descrevê-los? Ah, o vivido...) tornaram a calar um sórdido, inocente e incoerente ser vivente – incrédulo, temporariamente, na magia da vida... A simplicidade de uma cerveja, a sinceridade de uma amizade, a fascinação da aura de um lugar, a conectividade social descoberta no emaranhado das novas tecnologias e a receptividade de distantes mas interessantes pessoas, deram o tom mágico para a configuração única de uma noite de desvelações a favor de uma viva viva... Ah, cala-te homem que maltrata alguns dos canais da vida! Ela se refaz e se mostra em sua plenitude, quando menos se espera. Pessoas, abertas e sensíveis, surgem – apesar de parecerem sumir – quando menos se espera e se desconfia... Não importa o canal, a vida ainda é viva!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe tuas impressões: